DISCOGRAFIA

TRILHAS SONORAS AUTORAL INFANTIL
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Participações Especiais
Orquestra Sinfoônica de Budapeste (BPSO)

Ano de lançamento
2016

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Longe...

  • 01 - Longe o Mar

  • 02 - Longe em Qualquer Parte

  • 03 - Longe o Vento

  • 04 - Longe Alguém Caminha

  • 05 - Longe na Lembrança

  • 06 - Longe na Solidão

  • 07 - Imagem Nº. 1 “Ventania”

  • 08 - Imagem Nº. 2 “Tarde Pousada”

  • 09 - Imagem Nº. 3 “Mar a Dentro”

  • 10 - Imagem Nº. 4 “Revoada”

  • 11 - Imagem Nº. 5 “Passeio de Outono”

  • 12 - Imagem Nº. 6 “Da Janela do Trem”

  • 13 - Imagem Nº. 7 “Antes do Amanhecer”

  • 14 - Paisagem Nº. 1 “Serra do Mar - Arlequim da Mata Atlântica”

  • 15 - Paisagem Nº. 2 “Enseada ao Sul”

  • 16 - Paisagem Nº. 3 “Planalto Central”

  • 17 - Paisagem Nº. 4 “Oceano Atlântico - Concerto para Nado Solo”

  • 18 - Paisagem Nº. 5 “Amazônia”

  • 19 - Uma Valsa Misteriosa

Longe...é o oitavo disco do compositor Alexandre Guerra. Oitavo disco nascido com o objetivo de reunir e divulgar sua produção musical; mas, para além dessa abordagem, Alexandre possui uma discografia muito mais extensa, já que é um dos mais requisitados autores de trilhas sonoras para cinema e TV da atualidade.

Essa intensa atuação compondo música que serve de suporte a outros meios artísticos ou que parte de estímulos externos ao material musical deixa sua marca também no trabalho de música “pura” de seu autor – o que não é um demérito, mas antes denuncia que, em todo tipo de composição a que Alexandre Guerra se dedica, está presente uma espécie de verdade íntima.

Ou talvez, na verdade, dê-se o processo inverso: as imagens e as palavras são, desde sempre, fundamentais no processo criativo de Alexandre Guerra, e isso talvez explique sua bem sucedida carreira como autor de trilhas sonoras. Estas características ficam patentes também no esmero da escolha das capas de seus CDs e no fato de que, além de compositor, ele é também poeta.

Tenho acompanhado a produção mais recente de Alexandre Guerra, como os discos Estações brasileiras (2011) e Ballet de azul e vento (2014). Longe... é uma continuação e ao mesmo tempo um passo além em sua trajetória. É o primeiro de seus CDs em que nenhuma das peças está relacionada com suas trilhas sonoras. Talvez tenha sido por isso que o autor me confessou que, em certo sentido, este disco é como se fosse o primeiro. É verdade mesmo que Longe... tem um quê de estreia – mas isso, no meu entender, ocorre porque a maturidade e profundidade musical do CD elevam a um patamar até então inédito a produção do autor.

A melancólica suíte para orquestra Longe..., que dá nome ao disco, inicia a jornada. Cada um de seus seis movimentos evoca uma situação: “Longe o mar”, “Longe em qualquer parte”, “Longe o vento”, “Longe alguém caminha”, “Longe na lembrança” e “Longe na solidão”. As belas Imagens para flauta e orquestra, com solos de Rogério Wolf, também remetem a diferentes estados a partir de seus títulos. Já as cinco Paisagens brasileiras encerram a viagem musical, não sem antes passar por diferentes cenários como Serra do Mar, Planalto Central e Amazônia.

Os naipes de cordas e os solos dos sopros caracterizam a textura do disco. Sob o ponto de vista musical, estão lá atributos que marcam a produção geral de Alexandre Guerra: a predominância da linguagem tonal e a influência de autores como Debussy, Ravel, Villa-Lobos e Tom Jobim. Jobim, aliás, era ele mesmo um grande admirador dos outros autores mencionados, e é à produção sinfônica do mestre carioca que o disco frequentemente nos remete. Outra influência considerável é a do minimalismo de Philip Glass e de outros autores norte-americanos que também se dedicam a trilhas sonoras (vide, por exemplo, “Longe alguém caminha”).

Se, como já foi dito, essas características não são novas em relação à produção anterior de Alexandre Guerra, o que chama atenção é o amadurecimento de sua trajetória composicional. A persistência e trabalho meticuloso do artista faz com que, partindo de um mesmo universo musical e referencial, ele consiga dar às obras maior complexidade composicional e maior densidade emocional, evocando com mais eficácia as imagens e estados de espírito presentes em seus títulos. Mais importante do que tudo, no entanto, é o fato de que esse enriquecimento não se nota apenas numa análise “técnica” do disco, pois se reflete diretamente na beleza e organicidade das peças. É a partir de uma prazerosa audição que se percebe uma sólida construção.
(Camila Frésca, jornalista e pesquisadora musical)