DISCOGRAFIA

TRILHAS SONORAS AUTORAL INFANTIL
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Ano de lançamento
2014

O Tempo e o Vento

  • 01 - Liberdade a Vento

  • 02 - História de Pedro Indio

  • 03 - Ataque à Missão

  • 04 - Aparição do Capitão Rodrigo

  • 05 - Ana Terra Variações

  • 06 - Tema Pedro Misterioso

  • 07 - Devolvendo a Adaga

  • 08 - Morte de Pedro Indio

  • 09 - Morte Mãe Ana Terra

  • 10 - Depois do Ataque Castelhano

  • 11 - Partida de Ana Terra

  • 12 - Lembranças de Ana Terra

  • 13 - Batalha

  • 14 - Passagem de Tempo Ana Terra

  • 15 - Um certo Capitão Rodrigo

  • 16 - Beleza triste

  • 17 - Um Capitão Nervoso

  • 18 - Guerra Farroupilha

  • 19 - Romântico Rodrigo

  • 20 - Enterrando Capitão Rodrigo

  • 21 - O Sobrado

  • 22 - Uma Valsa para Luzia

  • 23 - Rendição e Paz

  • 24 - O Tempo e o Vento - Parte Final

Minhas primeiras memórias de O Tempo e o Vento remontam a minha adolescência, quando eu corria para a frente da TV ao ouvir as primeiras notas vocalizadas pelo coro feminino na música de Tom Jobim. Essa história tão brasileira, repleta de personagens fortes e inesquecíveis como Ana Terra, Bibiana e Capitão Rodrigo, me marcou profundamente. Desta forma, que grata surpresa foi para mim, quase 30 anos depois, receber o convite de Jayme Monjardim para me re-aproximar desta emocionante história e iniciar, assim, uma convivência que durou quase um ano. O desafio musical, neste caso, não foi menor do que o do próprio filme, que propõe contar 150 anos de história em pouco mais de 2 horas. Como manter a unidade musical e, ao mesmo tempo, marcar cada época? Tantos personagens, tantos temas musicais: como conduzi-los sem confundir o expectador? E por fim e ao mesmo tempo, como tentar esquecer de tudo isso na busca de inspiração por belas melodias?
 
O Tempo e o Vento é um filme em forma de concerto - a orquestra sinfônica acompanha um solista que, às vezes, é só o vento, ou o silêncio de Ana Terra.
 
Ao longo do processo, Jayme sempre pontuou a importância de se marcar musicalmente quatro momentos do filme, que ele dividia em: “A Missão”; “Ana Terra”; “Capitão Rodrigo” e “O Sobrado”. Assim, “A Missão” vai se construindo a partir do coral infantil e orquestra barroca; em “Ana Terra”, o violão de aço e as flautas de Pedro dividem com a orquestra tradicional o papel de inaugurar uma atmosfera bucólica, que, por sua vez, é rompida quando o “Capitão Rodrigo” adentra Santa Fé conduzido pelo violão gaucho de Lucio Yanel. Por fim, no “Sobrado”, a harpa protagoniza o mistério, quase tentando ecoar a cítara da personagem enigmática Luzia.

A trilha sonora foi gravada pela Orquestra Sinfônica de Budapeste, com participação dos corais adulto e infantil. Em contraponto a esta massa sonora, temos os singelos violões dos brasileiros Webster Santos e Chico Saraiva, e do argentino - já citado - Lucio Yanel, referência do violão dos pampas. Este contraste instrumental espelha similar contraste presente no filme, sintetizado por imagens da imensidão atravessada por um solitário à cavalo ou pela solidão de quem espera em oposição aos muitos que seguem para a guerra. E assim a música sopra sua essência pelas reentrâncias do filme, seguindo sua missão de ajudar a história a ser contada de forma inspiradora.
 
 
Alexandre Guerra